Xãtana Xãtara Potyguara_

Xãtana Xãtara Potyguara | Pindorama - Brasil

Nascida em Cubatão, cidade reconhecida pela ONU como Vale da Morte, filha de imigrantes (indígenas e europeus), tendo sua moradia localizada na antiga ocupação Cota 200 dentro da reserva Atlântica Serra do Mar. Desde a infância teve presente o artesanato, conflito territorial, demarcação urbana sobre a ancestralidade e as crises geopolíticas ambientais. Ao ingressar na UFSCar, cursando Filosofia, encontrou um aprofundamento acadêmico teórico sobre seus processos artísticos e sociais. Em 2020, teve sua trajetória atravessada com o atêlie TRANSmoras - numa residência semestral sobre os processos de ressignificação do corpo e do lixo através da arte e gênero. 
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Entre o Asé e o Ixé | 2022 | Colagem digital fotográfica
A obra trata-se de uma patafísica das confluências ontológicas e epistemológicas entre o eu e o espiritual. Sequências pictóricas adulteradas pelo devir da presença, decodificadas pela territorialidade da identidade e suas relações com as diásporas afro e pindoramicas. Uma retratação do lugar de ser diante dos processos colonizatórios, aonde apagamentos etnocosmologicos se confrontam com as ancestralidades resistentes: a possibilidade de um corpo enquanto memória ancestral, um acervo de compartilhamento biomemorial entre os povos - codificando as presenças em entes.

Primeira sequência: Ãga rikú
A travestilidade - além de intraduzível - é repleta de ritos, totens, passagens e presságios. Mesmo com a violenta genderificação dos corpos na colonialidade, a travesti emerge numa contra-cultura da popularidade reversa. Se antes, estas corporeidades eram intrinsecamente ligadas aos povos tanto politicamente quanto espiritualmente, agora no processo colonizador estas presenças são descoladas através da invenção da humanidade. O corpo utópico de Foucault em sua plena excelência, o corpo sem orgãos de Deleuze no seu habitat, a atualização máxima dos nanosciborgues de Preciado. A Travesti obtém o conhecimento das tecnofeiiçarias que ultrapassam o primas conceitual de corpo e alma. Corpas fotografadas: Caela Diniz, Urutau Maria Pinto, Ombá Yîará, CaLu, Dyó, Xãtana Tereza Xãtara apoio fotográfico: Urutau, Lobo Riscado, Guilhermo Gara, Mapô